Palavra de Vida – Abril de 2019

Mística

Ao relembrar as últimas horas passadas com Jesus antes de Sua morte, o evangelista João coloca no centro o episódio do lava-pés. No Oriente antigo, o lava-pés era um sinal de boas-vindas ao hóspede, que tinha chegado por estradas poeirentas. Normalmente esse serviço era feito por um empregado.

Justamente por esse motivo, os discípulos inicialmente não admitem que seu Mestre tome essa atitude. Mas no final Jesus explica:

 

“Se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros.”

 

Com essa imagem tão significativa, João nos revela a dimensão completa da missão de Jesus: Ele, o Mestre e Senhor, entrou na história humana para se encontrar com cada homem e cada mulher, para nos servir e nos reconduzir ao encontro com o Pai.

Dia após dia, durante toda a sua vida terrena, Jesus se despojou de todos os sinais de sua grandeza e agora se prepara para dar a vida sobre a cruz. E justamente nesse momento deixa aos seus discípulos, como seu legado, a mensagem que mais lhe importa:

 

“Se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros.”

 

É um convite claro e simples; todos nós podemos compreendê-lo e colocá-lo em prática na hora, em qualquer situação, em qualquer contexto social e cultural.

Os cristãos, que recebem a revelação do Amor de Deus por meio da vida e das palavras de Jesus, têm uma “dívida” para com os outros: imitar Jesus, acolhendo e servindo os irmãos, para se tornarem, por sua vez, anunciadores do Amor. Tal como Jesus: começar amando concretamente; e depois, acompanhar o gesto com palavras de esperança e de amizade.

 

E o nosso testemunho é tanto mais eficaz quanto mais dirigirmos a atenção aos pobres, com espírito de gratuidade, e rejeitando, por outro lado, atitudes de servilismo diante de quem tem poder e prestígio.

Mesmo diante de situações complexas, trágicas, que escapam de nossas mãos, existe algo que podemos e devemos fazer para contribuir ao “bem”: sujar as nossas mãos, sem esperar recompensas, com generosidade e responsabilidade.

Além disso, Jesus nos pede que testemunhemos o Amor não só pessoalmente, nos nossos ambientes de vida, mas também enquanto comunidade, como povo de Deus, que tem por lei fundamental o amor mútuo.

 

“Se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros.”

 

Depois dessas palavras, Jesus continua: “Pois eu vos dei o exemplo, para que assim como eu vos fiz, o façais vós também (…). Sabendo estas coisas, sereis felizes se as praticardes” (1).

 

Comentando essa frase do Evangelho, Chiara Lubich escreveu:

(…) “Sereis felizes…”. O recíproco serviço, o amor mútuo que Jesus ensina com este seu gesto desconcertante é, portanto, uma das bem-aventuranças proclamadas por Ele. (…) Como poderemos viver, então, durante este mês, esta Palavra de Vida? A imitação que Jesus nos pede não consiste em repetir maquinalmente o seu gesto, embora devamos conservá-lo sempre diante de nós como um luminoso e inigualável exemplo. Imitar Jesus significa compreender que nós cristãos temos sentido se vivermos “para” os outros, se concebermos a nossa existência como um serviço aos irmãos, se basearmos a nossa vida sobre estes fundamentos. Então teremos realizado aquilo que Jesus mais valoriza. Teremos atingido o âmago do Evangelho. Seremos realmente felizes” (2).

 

Letizia Magri

 

1) Cf. Jo 13,15-17

2) Chiara Lubich, Viver para os outros, revista “Cidade Nova”, abril de 1982.

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